Prática de atividades físicas regulares reduz risco de diabetes infantil

Postado em 05/09/2017

Prática de atividades físicas regulares reduz risco de diabetes infantil

Vinte minutos de atividades físicas diárias. Pode parecer pouco, mas é tempo suficiente para reduzir o risco de uma criança obesa desenvolver diabetes tipo 2. É o que indica um estudo realizado por pesquisadores da Universidade de Georgia, nos Estados Unidos, publicado recentemente no JAMA, revista científica da Associação Médica Americana.

Para a análise, os cientistas reuniram 222 crianças obesas e sedentárias, com idades entre 7 e 11 anos, e as dividiram em três grupos. O primeiro foi estimulado a praticar 40 minutos de atividades físicas durante cinco dias por semana. O segundo, 20 minutos, durante o mesmo período. O terceiro manteve o estilo de vida sedentário.

Todos foram monitorados por três meses. O primeiro grupo apresentou uma redução de 22% de resistência à insulina, hormônio responsável pela redução da taxa de glicose no sangue ­­- fator que pode levar ao diabetes. O segundo grupo, 18%. O terceiro não teve nenhuma melhora, já que manteve o mesmo estilo de vida. Após interpretar o resultado da pesquisa, os cientistas chegaram à conclusão de que o tempo de duração da atividade física faz diferença, mas ela não é tão grande quanto se imaginava. Ou seja, deixar o sedentarismo de lado e praticar qualquer tipo de exercício, ainda que por pouco tempo, já garante uma significativa melhora na qualidade de vida da criança.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) recomenda que as crianças façam pelo menos uma hora de atividade física diariamente. “Todo movimento corporal é considerado uma atividade: brincar ao ar livre, andar de bicicleta, passear com o cachorro, tudo isso traz benefícios à saúde das crianças, obesas ou não. O importante é não ficar parado na frente da TV ou do computador”, diz o pediatra Mario Maia Bracco, da Universidade Federal de São Paulo e coordenador do Agita São Paulo - evento anual que estimula a prática de atividades física na capital paulistana.

Pesquisadores da Universidade de São Paulo fizeram um estudo similar aqui no Brasil, divulgado no último mês, que também relacionava a duração das atividades físicas à redução da gordura e à resistência à insulina. Eles recrutaram 39 crianças obesas entre 8 a 12 anos, que foram divididas em dois grupos.

Uma turma praticou diariamente 60 minutos de exercícios com intervalos. A outra fez 20 minutos ininterruptos de atividades de alta intensidade. E, assim como no estudo americano, os dois apresentaram relativo nível de igualdade de redução da resistência à insulina, 29.4% e 30.5%, respectivamente. Ou seja, o exercício de menor duração e maior intensidade levou a uma pequena vantagem em relação ao outro na redução do risco de a criança desenvolver diabetes do tipo 2. Mas ambos, diz os cientistas, provocam efeitos benéficos duradouros, como redução significativa do IMC, uma composição corporal com menos gordura abdominal e melhor condicionamento físico.

Assim, não é preciso fazer com que seu filho corra sem parar por 20 minutos para alcançar esses benefícios, mesmo porque, se ele estiver muito acima do peso e não tiver preparo físico, poderá até fazer mal. De acordo com a co-autora do estudo, a pediatra Ana Lúcia de Sá Pinto, do ambulatório de Medicina Esportiva do Hospital das Clínicas (SP), uma simples brincadeira pode resolver a questão, e ainda deixar a criança mais feliz e satisfeita. “Quando a criança pula corda ou brinca de pega-pega, por exemplo, ela corre muito, até ficar ofegante, por alguns minutos e depois diminui o ritmo, mas sem deixar de se movimentar. Isso seria equivalente ao nosso teste de atividade física de alta intensidade”, afirma.

A especialista reforça, ainda, o avanço da obesidade infantil como principal fator de risco de desenvolvimento de diabetes tipo 2. “A gordura traz inúmeros prejuízos à saúde e pode levar a criança a um quadro de pré-diabetes. Por isso, é importante estimular a prática de atividades físicas, já que ela promove a redução da gordura corporal e visceral – na barriga – e evita que ela desenvolva esta doença na adolescência e na vida adulta”, diz a especialista.

E o cuidado não para por aí: “Além de estudar a causa da obesidade daquela criança, é preciso também promover uma mudança nos hábitos alimentares dela e da família toda”, diz o endocrinologista Balduíno Tschiedel, diretor-presidente no Instituto da Criança com Diabetes (RS). O especialista lembra que é fundamental os pais enfatizarem a importância de se alimentar bem e, claro, dar o exemplo.

Frutas, verduras e legumes devem fazer parte das refeições diariamente. Os salgadinhos,sucos industrializados e outros alimentos ricos em carboidratos não devem ser proibidos, mas raros no cardápio da família.

 

 

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